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Especial Oscar 2021 | Os desafios da velhice e o legado de Anthony Hopkins em “Meu Pai”

Acompanhado por Olivia Colman, o ator entrega o que vem a ser considerada a melhor interpretação de sua carreira


Por: Larissa Biondi e Mariana de Castro

Créditos: Sony Pictures


Lançado no Brasil em 8 de abril de 2021, “Meu Pai” é estrelado por Anthony Hopkins e Olivia Colman. A produção é o primeiro trabalho de direção do dramaturgo francês Florian Zeller. O roteiro é uma adaptação de uma peça homônima também de Zeller: Le Père estreou em setembro de 2012 no Teatro Hébertot, de Paris, e, em 2014, recebeu o prêmio Molière de Melhor Peça. No Oscar, o filme concorre a 6 categorias, incluindo melhor filme, melhor roteiro adaptado, melhor ator (Hopkins) e melhor atriz coadjuvante (Colman).


Na peça original, o protagonista chamava-se André. Para as telas do cinema, o autor e diretor adaptou para que ele e Anthony Hopkins compartilhassem o mesmo nome e a mesma data de aniversário (31 de dezembro de 1937). Zeller desejava que o ator se conectasse em um nível ainda mais íntimo com o personagem: “Ele me perguntou, ‘você tem certeza?’ eu respondi que isso tinha relevância. Seria como ter uma porta aberta a qualquer momento que ele pudesse se conectar com seus sentimentos pessoais. Eu queria que não houvesse obrigatoriamente uma atuação, para que ele pudesse ser carregado por seus próprios medos, mortalidade e emoções. Algumas vezes era muito doloroso para ele”.



No filme, acompanhamos Anthony, um ex-engenheiro de 81 anos, e sua relação com Anne (Olivia Colman), uma de suas duas filhas. Mesmo com o avanço da idade, ele nega qualquer ajuda oferecida por Anne, que está prestes a se mudar para Paris com o namorado e precisa de uma cuidadora para ajudar seu pai no dia a dia. Vários acontecimentos estranhos e que parecem, à primeira vista, desorganizados cronologicamente, ditam o tom do filme; o estilo da montagem foge do convencional dentro do gênero dramático, assemelhando-se mais com as produções de suspense e terror psicológico, nas quais um aspecto de incerteza costuma pairar na ambientação do filme — também indicado para as categorias de design de produção e edição. A trilha sonora usada por Ludovico Einaudi (também compositor da trilha para o filme concorrente, “Nomadland”, de Chloé Zhao) é um importante recurso para construir essa atmosfera do filme, alternando entre música clássica e melodias suaves com pontos de tensão.


A maior parte do filme se ambienta no flat de Anthony; o próprio apartamento não é apenas um espaço de filmagem: ele também funciona como uma extensão da produção, assim como um reflexo do aumento gradativo da confusão mental de Anthony, um artifício de roteiro que reforça a narrativa como um todo. Conforme o decorrer dos acontecimentos, até mesmo a aparência do apartamento muda: sua estrutura se modifica e alguns móveis mudam de estilo, podendo ser interpretado como uma metáfora para a forma como Anthony perde o controle tanto de seu ambiente externo quanto interno; ele deixa de ser dono de suas próprias decisões.


Através da estética do filme (com uma paleta de cores voltada para tons terrosos e opacos), é possível que a gente desprenda uma sensação de solidão e até mesmo impessoalidade e distância entre Anthony e os outros personagens. Mesmo com a companhia de outras pessoas, Anthony, ainda assim, é sozinho. A sensação de desconforto é reforçada pela escolha de ângulos do diretor de fotografia, Ben Smithard: a câmera parada, que vez ou outra faz suaves movimentos de aproximação, com takes centralizados e simétricos, lembra, em muitos momentos, o estilo de fotografia do renomado diretor estadunidense Stanley Kubrick. A sensação que a técnica de Smithard nos passa, é de como se ele estivesse documentando as cenas, e não, de fato, dirigindo.

A forma como a história de Anthony é narrada causa empatia instantânea com o personagem. Acompanhamos os desdobramentos do enredo ao mesmo tempo que o protagonista. É como se enxergássemos em primeira pessoa, por seus olhos.


Aos 83 anos, Anthony Hopkins entregou, para os críticos, a melhor interpretação de sua carreira, superando, até mesmo, o seu trabalho no clássico O Silêncio dos Inocentes, no qual interpreta o psiquiatra e serial killer Hannibal Lecter. Através de Meu Pai, entendemos porque Hopkins é um dos maiores nomes da história do cinema.


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