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Crônica #48 | Download do vício

Upload da liberdade




Estava lendo uma matéria em que um jornalista levantou uma questão para Alfred Worden, astronauta da missão Apollo 15, que me deixou curioso para ouvir a sua resposta. Ele foi o piloto que permaneceu no módulo em órbita lunar, operando sensores e instrumentos de comando e serviços. Enquanto ele permanecia em órbita, os outros dois David Scott e James Irwin, alunissaram com o módulo lunar, isto é, pousaram na superfície lunar. Dois módulos trocando informações, além dos contatos com outros membros aqui na Terra.


Perguntou o jornalista: “Como é um ser humano a 400.000 km de casa, o ser mais isolado de todos os tempos?


O avanço tecnológico teve um crescimento tão exponencial, numa velocidade tão gigantesca que hoje temos coisas inimagináveis. Há um pouco mais de cinco décadas o homem estava pisando na Lua e despontava a internet. Toda a tecnologia usada nos dois módulos, do comando e lunar citados acima, cabe hoje numa simples calculadora de mão. Telegrafia, fax, telex, pager, telefone fixo, tv, câmeras, filmadoras se foram em menos de 20 anos. Lâmpadas incandescentes, fluorescentes, vapor de mercúrio é coisa do passado, hoje se fala em LED. Mapas, clima, tempo, minerais existentes no planeta, etc.… que antes eram feitos a pé com medidores manuais, hoje é tudo medido via satélite. Veículos sendo fabricados por braços robóticos com alta precisão, perfeição e acabamentos isentos de defeitos. Cirurgias robóticas, com precisão ímpar. No céu tem aproximadamente 170.000 aeronaves voando nesse exato momento, 6.000 satélites em órbita.... Enfim, impossível de se mensurar tudo.


Quem vivenciou a era analógica terá uma ideia melhor do grande salto que tivemos. Os jovens e as crianças de agora já nasceram inseridas nesse mundo tecnológico, parece que já possuem no seu DNA a capacidade de lidar com toda parafernália. A IA, inteligência artificial, trouxe mudanças exponenciais na medicina, na engenharia, na agricultura... enfim em tudo o que possamos imaginar. Já não nos perdemos mais nos caminhos quando seguimos o GPS, nem há necessidade de ser bom em geografia ou ler um mapa físico como fazíamos antigamente. Na área de comunicações então, nem conseguimos mais listar todas as mudanças que tivemos. E creio que impactando mais diretamente o dia a dia de nossas vidas estão os smartphones e logicamente a internet, que alimenta toda essa rede infindável de sistemas. Porém, no meio de tantos avanços nem sequer paramos para questionar como tudo funciona. Mal se procura saber sobre o que é um átomo ou que tudo funciona recebendo e enviando ondas. E que estamos imersos, todos nós, nesse caótico e invisível mar de infinitas ondas. Simplesmente fazemos uso e muitas vezes abusamos nesse uso.


Não notamos ou não damos importância para tal fato, ou seja, vão se incorporando por necessidade ou por imposição que dita a sociedade. É isso mesmo?



Perdeu a crônica de semana passada? Leia o texto na íntegra clicando aqui: Crônica | A garotinha de patins




Um celular... com infinitas utilidades... Lembro-me da época em que o telefone era em aparelho fixo, ligada literalmente com um fio e ainda era com aquele tipo de disco, onde para se fazer uma ligação ia-se girando o disco conforme os números correspondentes. Minha mente volta ao agora pelo toque do meu celular, me avisando da chegada de uma nova mensagem. Minha esposa, ao meu lado, me mostra em seu celular minha filha que mora em outro país, numa chamada em vídeo; tudo on line, tudo full e in time. Essa foi uma das revoluções que nos beneficiou, trazendo para perto quem está fisicamente muito longe.


Marco de um avanço tecnológico. Nesse pequeno aparelho faz-se de tudo, acha de tudo, compra-se o mundo e ainda faz ligações telefônicas. Isso... ainda faz ligações telefônicas…soa com certo ar de ironia chamar de aparelho telefônico. Tantas funções, tantos aplicativos para tudo quanto é necessidade, diversão com games e ainda serve como uma tv. E quem é que ainda consegue ficar sem ele? Sabemos que muitos acompanham até a ida ao banheiro, compartilhando todos os momentos. Tal como um fiel escravo!


Escravo?! Quem é escravo de quem?!


Hoje sabe-se que o celular altera o nosso comportamento e nosso cérebro. Podemos sim, virarmos escravos, ficarmos viciados em celular. Portanto, nos observemos e fiquemos alertas. Nada nos extremos é saudável.


Será que com esse vício instalado não perdemos nossa referência interior? Somos uma antena, e o que estamos captando durante todo dia e a noite também? Qual será a origem dos nossos pensamentos acelerados, ansiedade, depressão, frustração, impaciência, intolerância, insônia, sedentarismo, estresse e emoções sem fim? As pessoas que ficam muito tempo nas redes sociais tendem a se tornarem depressivas. Há também a questão da alteração na qualidade do sono.


Uma pesquisa diz que, antes da invenção dos celulares, ao caminharmos na rua o nosso olhar atingia pelo menos sete metros a nossa frente. E hoje nossos olhares são fixados para baixo. Numa posição quase que de um feto, curvado e dependendo unicamente de um cordão umbilical: internet. A postura da nossa cabeça e nosso olhar cabisbaixo já favorece a alimentação de nossas emoções mais down. Posição nada benéfica, tanto fisicamente como emocionalmente. Visão cansada, dores de cabeça, dores musculares, resultando em transtornos musculoesqueléticos. Ficamos mais suscetíveis, quase que literalmente em transe hipnótico, à mercê do que nos é oferecido. São tantas e tantas e infindáveis ofertas de fontes inesgotáveis a todo segundo, que vão induzindo as mentes não preparadas ao consumo desenfreado. E a mente se perde nas propostas de conquistas de realizações e felicidade, quase que hipnotizada por uma projeção holográfica das ilusões da materialidade. Toda essa invasão através de uma pequenina tela de 0,0112 m2, que é o tamanho de um simples aparelho celular. Nossos olhos estão, quase que em tempo integral, atraídos para essa caixinha mágica.


Essa atração é tão intensa que estudos apontam para uma novo transtorno psicológico, a nomofobia (no+mobile + phone + phobia), que é o medo absurdo, irracional de ficar sem o celular. Não é muito difícil até de constatarmos ao nosso redor. A pessoa pode sair e esquecer tudo em casa, mas o celular não. Sua vida está ali, dentro da caixinha mágica.

No Japão estão pesquisando e chamando de hikikomori a questão de um severo afastamento social. Não que o celular seja a causa principal desse afastamento, mas em certo grau sim, interfere também na questão do relacionamento humano. A tecnologia veio para nos proporcionar uma melhor qualidade de vida, não nos afastar.



Depende de nós revertermos essa situação.


A vida moderna segue os padrões de que precisa ser prática e rápida, mas poderia e deveria ser mais saudável. Mas não é o que acontece. Hoje tudo tende a ser muito artificial.


Curvamos diante de um celular e não mais perante o Criador.

Estamos cada vez mais distantes da nossa própria essência.

Buscamos respostas em sites de pesquisas e não mais na voz do Senhor.

Dormimos numa oração escrita por outros e não mais nos nossos sentimentos.

Ajoelhamos para conectar o celular numa tomada e não mais entrelaçamos os dedos em gratidão ao nosso Pai.

Sonhamos com imagens indefinidas ou até não lembramos, quando antes eram coloridas.

Um bom observador dirá que a humanidade se assemelha mais a um simples e obediente rebanho. Todos seguem fazendo as mesmas coisas, numa mesma direção e nem sabendo porquê. Tudo está dentro do padrão e regras impostas... impostas por quem? Pelo que cada um acredita ser o guia do seu caminho.


Despertemos!



Leia também para mais uma dose de filosofia em seu dia: A vida em arte



As posturas de dependências podem sinalizar perigos iminentes e previsíveis: um sofrimento sem sinal de dor. Ignoramos por comodidade, por querer aceitar o fato ou por querer ser igual a todo mundo? Essa postura costuma nos livrar de responsabilidades. Responsabilidades por nossa própria vida.


Nós não podemos nos resumir a uma atitude copiada e externa de uma sociedade que dita as regras. Temos a capacidade e o poder de sermos nossas próprias manifestações internas, com a presença do querer e em concordância com nossa consciência, então temos o poder também de desconstruir.


Muitas vezes não percebemos que ultrapassamos nossos próprios limites e só percebemos quando uma doença, simples ou não nos atinge. Porém, antes disso o nosso corpo vai manifestando sinais. Prestemos atenção, pois o momento atual de transição planetária, onde tudo é muito exacerbado, tende a afetar nossa saúde psíquica. Existe uma “doença coletiva mundial”, não é algo isolado e que atinge uns poucos. Apesar de se estar à beira de um colapso ainda é tempo de despertar e entender que existe chances de um caminho mais saudável. A mente em paz é uma base para se manter a saúde. Não entremos nos extremos de qualquer radicalismo, há a possibilidade de escolhermos estar no caminho do meio, do equilíbrio, do ponderar com bom senso o que de fato devemos ingerir e assimilar.

Basta que observemos o mundo atual e tomemos uma decisão de seguir com a consciência desperta.


A vida é um desafio, jamais pensemos ser um castigo ou um fardo. A cada superação que conquistarmos vamos nos fortalecendo e ampliando nossa consciência. Não entremos numa pandemia emocional, compreendamos o porquê das lições que nos traz a vida, aceitemos e com coragem enfrentemos para não mais repetir essas lições.



A tecnologia, a nível humanidade, está levando a uma menor interiorização.

Se soubéssemos recorrer a ela usando quando necessário e quando não, nos recolhermos...

Porém, nossa mente parece não nos permitir isso, a necessidade de se estar ligado o tempo todo é sufocante.


Então me lembrei da resposta do astronauta... ele assim respondeu: “Estava sozinho e não estava solitário. Quando a minha nave passava por trás da lua, perdia o contato com a Terra e também com os dois amigos que estavam no módulo, aqui mais perto, na Lua. E essa era a melhor parte do voo”. Intrigante! Muitos vão pensar. O que faz o homem se sentir bem, literalmente e totalmente isolado e distante de tudo e de todos? Afinal somos seres sociais. O que acontece em situações assim?


Assim como o astronauta disse ser a melhor parte do voo, existe um momento que é preciso se afastar um pouco do círculo de convivência em que estamos. Parentes, colegas de trabalhos e agora, das barulhentas redes sociais. Há a necessidade de um momento para entrar em contato com a vida interior e de interligar-se com a natureza externa e com os animais. Um instante de paz e isolamento para que as pessoas que convivem ao nosso lado também possam respirar, dar um fôlego e saindo muitas vezes de um círculo vicioso que nem nos damos conta de existir. Isso pode recompor as reflexões esquecidas na correria do dia a dia, ser e estar por um instante você com você mesmo. Uma boa leitura, umas meditações, longe dos noticiários da tv e celulares, colaboram a não dar as costas para si. Havendo uma certa periodicidade será bom para si e também para as pessoas que convivem conosco.


De vez em quando, um mergulho dentro de nós mesmos será fortalecedor para nossa identidade. A solidão muitas vezes é vista como tenebrosa e assombrosa, no entanto; se encarada como um distanciamento saudável ela é sempre bem-vinda. Esse isolamento permite um desligamento com a superficialidade da vida e futilidade dos pensamentos; possibilitando uma conexão com nosso Criador. Num movimento contínuo de expansão e recolhimento como o do dia e a noite, como as atividades das estações do ano, movimentos da maré... O equilíbrio se faz presente.


A presença da própria essência e da consciência aguardam um diálogo consigo mesmo. Esse diálogo traz para a realidade uma reflexão das suas conquistas, do bem praticado, das transgressões provocadas, das agressões verbais ou físicas um dia praticadas.


A partir do momento que olhamos para dentro percebemos a necessidade de uma reforma.


É tempo de uma reforma íntima.


Entender as causas, apaziguar e entrar em processo onde se possa dissolver os problemas e aflições.


Autoconhecimento e suas ferramentas!




Através do isolamento reflexivo e necessário vamos perceber o quanto somos seres sociais, o quanto precisamos uns dos outros. O quanto devemos nos propor a não sermos felizes sozinhos. A busca dessa transcendência, onde o Todo está em tudo e em todos e em compreender a viver o Uno. Entrando na Unicidade, quebrando todo paradigma individualista e egoísta. Deixando brotar do nosso íntimo o ser multiexistencial que somos, rompendo as barreiras dimensionais; sermos plenos e felizes agora, neste instante. Não somos seres isolados, apenas precisamos de pequenos isolamentos para podermos despertar toda nossa grandeza, todo nosso potencial e nos colocar a serviço do Todo. Nos integrando cosmicamente e assim expandindo para tudo e para todos os que nos rodeiam, a nossa alegria e o nosso respeito. Sejam eles seres invisíveis, nanos, pequenos ou grandes; minerais, vegetais, animais ou humanos.


Somos todos aprendizes em busca de algo que imaginamos ser uma vida mais humana; desconstruindo paradigmas destrutivos e caminhando para a construção do nosso verdadeiro Ser. Com o coração aberto, expandindo sempre em sentimento e postura de Gratidão... Manifestemos!





Que tal baixar e compartilhar trechos dessa crônica com a galera!





 
Staff que trabalha para as Crônicas chegarem até você

• Cronista e filósofo neo

Otavio Yagima


Coautora

Maria Hisae


• Narração

Patrícia Ayumi


• Artes

Thiago Martins


• Edição

Leonardo Fernandes

 

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