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Crítica | X-Men '97 - Segunda Temporada

20 de ago.
4 min de leitura

A segunda temporada da animação X-Men '97 mantém a qualidade visual e entrega momentos memoráveis, mas tenta contar histórias demais ao mesmo tempo e acaba deixando alguns dos seus personagens pelo caminho


X-Men '97
X-Men '97

(Foto: Divulgação)


Depois de uma primeira temporada que surpreendeu pela maturidade, emoção e capacidade de resgatar o espírito dos desenhos dos anos 1990, X-Men '97 retorna ao Disney+ com uma missão complicada: superar expectativas que já estavam nas alturas. A promessa de explorar o universo de Apocalipse e até mesmo flertar com A Era do Apocalipse parecia apontar para uma temporada ainda maior. O problema é que a série abre portas demais e fecha algumas delas rápido demais. O resultado é uma segunda temporada irregular, que continua sendo visualmente impressionante e emocionalmente envolvente, mas nem sempre consegue dar aos seus personagens o espaço que eles merecem.


Tecnicamente, porém, X-Men '97 continua sendo uma produção de altíssimo nível. As sequências de ação mantêm uma fluidez impressionante, com enquadramentos dinâmicos e coreografias que fazem a animação parecer tão grandiosa quanto qualquer blockbuster live-action. A direção consegue aproveitar a linguagem animada para entregar cenas que seriam muito mais difíceis (ou caras) de realizar em carne e osso. A identidade visual também permanece fiel aos anos 1990, mas sem parecer ultrapassada. É uma animação que entende a nostalgia sem ficar presa a ela.


X-Men '97
X-Men '97

(Foto: Divulgação)


O problema está principalmente no roteiro. A segunda temporada parece determinada a adaptar décadas de histórias dos quadrinhos em poucos episódios, e isso cobra seu preço. A promessa de uma grande incursão por A Era do Apocalipse, por exemplo, acaba sendo rapidamente substituída por outras tramas, enquanto diferentes personagens e conceitos são apresentados e resolvidos antes que tenham tempo suficiente para amadurecer. Alguns episódios são excelentes justamente porque conseguem focar em um núcleo específico; outros passam a sensação de que estamos assistindo a um resumo acelerado de várias histórias que poderiam render temporadas inteiras.


Mesmo com esse desequilíbrio, há personagens que encontram momentos especialmente fortes. Noturno ganha um espaço precioso na temporada e protagoniza algumas das cenas mais interessantes, principalmente pela forma como sua espiritualidade é colocada em diálogo com a razão e com os conflitos dos mutantes. Gambit, por sua vez, continua sendo uma presença emocional importante para a narrativa, mostrando como o impacto de acontecimentos anteriores ainda reverbera entre os personagens. Já outros integrantes, como Tempestade e Wolverine, acabam recebendo menos atenção do que poderiam, criando uma sensação curiosa: em uma série sobre os X-Men, alguns dos próprios X-Men parecem coadjuvantes de suas próprias histórias.


A trilha sonora segue sendo uma das armas secretas da produção. Ao recuperar a identidade musical que marcou a animação original e combiná-la com momentos de maior tensão e dramaticidade, a série consegue transformar nostalgia em emoção genuína. Não é apenas ouvir uma música conhecida ou reconhecer um uniforme: é sentir que aquele universo continua vivo. Para quem cresceu com os personagens, determinadas cenas funcionam quase como um reencontro com uma parte da infância só que agora acompanhada de temas muito mais adultos, como preconceito, fé, identidade, violência e relações de poder.


X-Men '97
X-Men '97

(Foto: Divulgação)


A segunda metade da temporada mostra justamente o potencial que a série ainda possui quando encontra equilíbrio entre espetáculo e desenvolvimento de personagens. As referências aos quadrinhos, aos filmes dos anos 2000 e a diferentes fases da história dos mutantes são divertidas para quem conhece esse universo, mas não deveriam ser o único combustível da narrativa. Quando o fan service funciona como complemento, ele é delicioso; quando parece ocupar o espaço que deveria pertencer ao roteiro, a experiência perde força. X-Men '97 continua sabendo fazer o fã vibrar, mas precisa tomar cuidado para não transformar cada episódio em uma coleção de referências.


No fim, a segunda temporada está longe de ser um desastre mas também não alcança o impacto emocional e narrativo de sua antecessora. Ela ainda possui animação excelente, personagens carismáticos, grandes momentos de ação e uma trilha que sabe exatamente onde apertar o coração do espectador. O que falta é respirar. Talvez o caminho para a próxima temporada seja justamente diminuir a quantidade de histórias e permitir que algumas delas tenham o tempo necessário para realmente marcar o público. X-Men '97 ainda tem muita vida pela frente; resta descobrir se a série vai continuar tentando salvar todos os universos possíveis ou se finalmente vai escolher uma história para contar até o fim.


Opinião da Redação: "X-Men '97 continua sendo uma das animações mais visualmente impressionantes do gênero e prova que os mutantes ainda têm muito a dizer. Porém, sua segunda temporada sofre com excesso de ambição e perde parte da precisão que tornou o primeiro ano tão especial. Ainda assim, existem momentos capazes de fazer qualquer fã sorrir, arrepiar e lembrar por que esses personagens atravessaram gerações."


E você, o que achou da segunda temporada de X-Men '97? A série deveria continuar expandindo seu universo ou seria melhor voltar a histórias mais focadas nos próprios X-Men?




Ficha Técnica


Nome: X-Men '97

Tipo: Série

Onde assistir: Disney+

Categoria: Ação

Duração: 2 Temporadas



Nota: 3,5/5



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