Crítica | Obsessão
- Redação neonews

- 12 de jun.
- 3 min de leitura
Obsessão aposta na tensão emocional e entrega uma das experiências mais inquietantes do ano

(Foto: Divulgação)
Há algo assustadoramente humano em Obsessão. Antes mesmo de apresentar seus elementos sobrenaturais, o filme já provoca desconforto ao explorar sentimentos que todos conhecem: amor, carência, desejo e a necessidade de ser correspondido. O diretor Curry Barker entende que os maiores medos nem sempre estão escondidos no escuro. Às vezes, eles nascem justamente daquilo que mais queremos.
A história acompanha Bear, interpretado por Michael Johnston, um jovem apaixonado por sua melhor amiga, Nikki. Quando ele encontra um artefato capaz de realizar um desejo, faz aquilo que parece um pedido inocente: deseja que ela o ame mais do que tudo. O problema é que o amor sem limites rapidamente deixa de ser romântico e se transforma em algo sufocante, obsessivo e profundamente perturbador.

(Foto: Divulgação)
O grande mérito do longa está na forma como constrói sua tensão. Barker evita sustos fáceis e prefere trabalhar o desconforto emocional. Pequenos gestos, olhares prolongados e situações cotidianas ganham uma carga inquietante que cresce a cada cena. O terror não surge de monstros ou aparições repentinas, mas da sensação constante de que algo está terrivelmente errado.
Visualmente, o filme também encontra sua força na simplicidade. A fotografia utiliza iluminação discreta e sombras bem posicionadas para aumentar a sensação de isolamento dos personagens. A trilha sonora acompanha esse trabalho de forma eficiente, criando momentos de tensão que surgem de maneira gradual e quase imperceptível. Tudo parece cuidadosamente calculado para deixar o espectador desconfortável sem precisar recorrer a excessos.
Mas quem realmente domina a tela é Inde Navarrette. Sua interpretação de Nikki é impressionante do começo ao fim. A atriz transita entre vulnerabilidade, afeto e obsessão de forma extremamente convincente, construindo uma personagem que assusta justamente por parecer tão real. É uma atuação intensa, desconcertante e que certamente ficará marcada entre os grandes trabalhos recentes do gênero.

(Foto: Divulgação)
Mesmo quando toca em temas delicados, o roteiro consegue manter o equilíbrio e provocar reflexão. Obsessão fala sobre posse, dependência emocional e os limites do amor sem transformar sua mensagem em algo didático demais. Algumas escolhas podem gerar debate, especialmente na forma como a narrativa conduz determinados personagens, mas isso apenas reforça o quanto o filme está interessado em provocar discussões.
Obsessão prova que grandes filmes de terror não precisam de excessos para causar impacto. Com uma direção segura de Curry Barker, uma atmosfera sufocante e uma atuação memorável de Inde Navarrette, o longa transforma uma premissa simples em uma experiência intensa e perturbadora. É um terror psicológico que prende pela emoção, provoca reflexões e permanece na mente, consolidando-se como um dos destaques do gênero nos últimos anos.
Opinião da Redação: "Saí de Obsessão completamente fascinada pela atuação da Inde Navarrette. Fazia tempo que uma performance em um filme de terror não me prendia tanto. Conforme a história avança, fica impossível não ficar envolvida com tudo o que acontece na tela. Quando o filme acabou, eu ainda estava pensando nele, revivendo algumas cenas e refletindo sobre suas ideias. Pra mim, é aquele tipo de filme que você termina e já quer comentar com todo mundo porque realmente merece ser visto."
Até que ponto o amor pode ser considerado uma demonstração de cuidado e afeto, e quando ele ultrapassa essa linha para se transformar em algo sufocante, controlador e perigoso para quem vive a relação?
Ficha Técnica
Nome: Obsessão
Tipo: Filme
Onde assistir: Cinemas
Categoria: Terror Psicológico / Suspense
Duração: 1hr e 49min
Nota: 5/5




