Crítica | Euphoria: 3ª Temporada
- Redação neonews

- há 3 dias
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Quando o brilho desaparece e sobra apenas o vazio. A temporada final de Euphoria abandona a essência que transformou a série em fenômeno e entrega um encerramento frustrante para uma geração inteira

(Foto: Divulgação)
Poucas séries conseguiram marcar uma geração da forma como Euphoria fez. Entre visuais icônicos, trilha sonora inesquecível e personagens que dominaram as redes sociais, a produção da HBO se transformou em um fenômeno cultural. Mais do que uma série adolescente, ela influenciou tendências, lançou carreiras e criou discussões sobre juventude, identidade e saúde mental. Por isso, a terceira temporada carregava uma enorme responsabilidade. Infelizmente, o resultado está muito distante da expectativa criada ao longo dos anos.
O salto temporal que leva os personagens para a vida adulta parecia uma oportunidade perfeita para amadurecer a narrativa. A temporada acompanha principalmente Rue, que continua sua luta contra os vícios, e Cassie, que tenta encontrar estabilidade financeira através da produção de conteúdo adulto. São duas histórias que poderiam render reflexões profundas sobre dependência emocional, sobrevivência e amadurecimento. Porém, o roteiro raramente encontra o equilíbrio necessário para explorar esses temas com a profundidade que merecem.

(Foto: Divulgação)
Um dos maiores problemas da temporada está justamente na forma como seus personagens são tratados. Enquanto Rue e Cassie concentram praticamente toda a atenção, figuras importantes como Jules, Lexi e Nate acabam reduzidas a funções secundárias. Personagens que antes possuíam conflitos complexos e trajetórias envolventes passam a existir apenas para movimentar as histórias principais. O resultado é uma sensação constante de desperdício de potencial.
Mesmo quando a trama parece encontrar um caminho interessante, a narrativa frequentemente tropeça em decisões questionáveis. A história de Cassie, por exemplo, poderia discutir temas importantes sobre vulnerabilidade feminina e exploração digital. No entanto, a série prefere utilizar boa parte dessas situações apenas como ferramenta de choque visual. Em vários momentos, a sensação é que a provocação substitui o desenvolvimento narrativo, criando cenas que parecem existir apenas para chamar atenção.
Esse problema se estende para praticamente toda a representação feminina da temporada. O roteiro frequentemente coloca suas personagens em situações de sofrimento extremo, dependência ou objetificação. Em vez de aprofundar suas jornadas emocionais, muitas vezes a narrativa parece mais interessada em explorar suas dores como espetáculo. É uma escolha que enfraquece não apenas a mensagem da série, mas também a força que essas personagens construíram ao longo das temporadas anteriores.

(Foto: Divulgação)
Tecnicamente, Euphoria continua sendo uma produção visualmente competente. A fotografia mantém parte da identidade estética que consagrou a série, e o elenco segue entregando atuações de alto nível. Zendaya continua impressionante na pele de Rue, carregando boa parte do peso dramático da narrativa. Sydney Sweeney também demonstra enorme comprometimento com sua personagem. Porém, nem mesmo o talento do elenco consegue compensar um roteiro que parece perdido em suas próprias ideias.
Nos momentos finais, a série até encontra alguns instantes genuinamente emocionantes. Os discursos interpretados por Colman Domingo trazem humanidade à narrativa, e certas lembranças do passado de Rue conseguem resgatar parte da emoção que tornou Euphoria tão especial. Ainda assim, são momentos isolados em uma temporada marcada por excessos, personagens mal aproveitados e uma evidente perda de identidade. O que antes parecia uma das produções mais relevantes de sua geração termina como uma sombra distante de si mesma.
Opinião da Redação: "Como alguém que acompanhou o impacto cultural de Euphoria desde o começo, foi difícil assistir a uma temporada tão distante daquilo que tornou a série especial. Ainda existem ótimas atuações e alguns momentos emocionantes, mas o brilho, a personalidade e a profundidade que fizeram a produção se destacar praticamente desapareceram. Fica a sensação de que o potencial era enorme, mas acabou desperdiçado em escolhas que enfraqueceram justamente aquilo que a série fazia de melhor."
Na sua opinião, Euphoria realmente precisava de uma terceira temporada ou a história teria sido mais forte encerrando no segundo ano? E qual personagem você acredita ter sido o mais prejudicado pelas decisões do roteiro?
Ficha Técnica
Nome: Euphoria
Tipo: Série
Onde assistir: HBO Max
Categoria: Drama
Nota 2/5




