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Crônica | O desafio do Destino

Livre-arbítrio em xeque-mate?



O dia está belo, céu com poucas nuvens e temperatura agradável de 18 graus.


Estamos dentro de uma composição com poucos vagões e dentro deles vários turistas locais e internacionais. Um mix de vários idiomas se misturam no ar, trazendo aquela sensação gostosa de estar num país diferente, ouvindo e vendo pessoas das mais diversas origens. Muitos conversando e com os olhos fixos nas paisagens, tão belas e únicas. Que eco gostoso se extravasa pelo coração. Os olhos contemplando e as mãos clicando em fotos as belas imagens que vão aparecendo, abundantemente pelas janelas.


O trem passa por cidades, vilas e vilarejos; às vezes crianças aparecem acenando para os passageiros desconhecidos. Plantações de arroz em pequenos quadrantes, lagos e rios com águas claras do degelo da neve. Propositadamente eu me posicionei na primeira locomotiva, na ânsia de registrar com mais amplitude a belíssima e notável natureza.


O trem faz paradas rápidas e em algumas estações desembarcam crianças com uniformes escolares e mochila nas costas, sempre desacompanhadas. Que cena maravilhosa ver crianças livres, confiantes e desacompanhadas de adultos. Embarcam outros passageiros e muitos deles são idosos. Vejo uma senhora com uma bengalinha, um lenço protegendo a cabeça do vento frio e o maquinista espera gentilmente para que sua entrada seja segura. E interessante, a cada partida de cada estação o maquinista faz vários movimentos coordenados com as mãos acompanhados do olhar; parece que checando mentalmente e confirmando com as mãos os vários itens importantes antes de acelerar novamente. Sem contar com seu belo uniforme, chapéu e branquíssimas luvas vestindo as mãos.


Vejo que muitos não desembarcaram, então são passageiros com parada final no cartão postal daquele país. Depois de meia hora aponta na janela da frente uma belíssima montanha com o seu cume branco de neve. Me emociono, pois na minha estadia nesse país, a 35 anos atrás, não tinha tido o privilégio da sua graça. Esse monte é famoso por não mostrar sua face completa há muitos que o visitam.


Então me arrepio de emoção e agradeço mentalmente a sua recepção grandiosa, pois nos presenteia com toda sua beleza. Acho que ele sentiu que estava ali toda minha família, principalmente minhas preciosas filhas a conhecer as nossas origens, as nossas raízes. Abraçado com minha esposa, juntos sorrimos, celebramos e agradecemos.

O lugar? Monte Fuji, Japão!!



Durante o percurso, vi um pássaro pairando no profundo céu azul de forma suave, singela e totalmente leve. Meus pensamentos acompanharam o seu voo, e um sentimento sublime me unificou com a exuberante Natureza. Imediatamente uma analogia me veio à mente.


Somos como esse trem engatado com mais cinco vagões. Dentro de cada vagão passageiros com a essência do mais puro amor ao mais puro ego. Cheios de cargas de muitos pensamentos bons e ruins; muitos atos também bons e ruins.


A máquina propulsora está lá na frente, conectada a um cabo de energia que percorre toda extensão. Uma linha de vida que está carregada com energia vital procedente de uma fonte Universal, que nunca apresentou falhas e nem blackout. O comando de acelerar ou frenar, pausar por poucos momentos, mudar de linha ou pegar um atalho está ligado diretamente à decisão do maquinista. Maquinista este que cumpre a função de levar todos ao verdadeiro sentido de vida. Quem é o seu maquinista?


Cabe a cada maquinista manter essa locomotiva em ordem, com rigor, respeito e procurar sempre conhecer cada peça interna e externa e suas respectivas funções. Peças como palavras, ações, reações, medos e outras que causam tremor, devem ser sempre reparadas a cada falha constatada. Manter o farol da esperança sempre funcionando, assim como manter o mapa dos trilhos sempre atualizado; procurando conhecer os atalhos e perigos das possíveis armadilhas plantadas pelos piratas invejosos. Com velocidade não muito lenta para poder cumprir o horário de chegada, porém nem muito rápida para evitar se descarrilar da linha. Nem muito para mais... nem muito para menos... no equilíbrio do caminho do meio... e assim prosseguir a viagem rumo a.… aonde mesmo?


Iniciamos engatados com a primeira composição chamada “Vida”, carregada de sonhos e esperanças, mas sem ter ainda noção ou convicção do Todo e do Uno. Uma vez dada partida, não será possível desengatar em nenhum momento toda a composição. Tudo é desconhecido e temeroso ao mesmo tempo. Chegam carregados de surpresas muitas vezes agradáveis, muitas vezes compreensíveis e muitas outras vezes enigmáticas.


Mas como a máquina lá da frente puxa com força todo o conjunto, quase que não há tempo de se analisar nos detalhes. Então muitas vezes sentimos vertigens não sabendo o que se passa ao redor, e muitas vezes caímos com um brusco e repentino frear. Muitas vezes dormimos de cansaço, outras vezes estamos despertos até demais esperando as novas paisagens aparecerem. Você como eu somos essa composição, a máquina propulsora; e o nome genérico desse maquinista é simples, porém complexo cheio de “Livre-Arbítrio”.


Na segunda parada carregamos o vagão chamado Emoção”. Ahh!! Esse sim. Existe uma guerra interna do certo e errado, do mal e do bem e nessa luta toda, estremece a base da compreensão. Quanta energia dispendida, quantas lamentações, quantas alegrias, quantos sentimentos mal digeridos e incompreendidos. Quantas emoções à flor da pele, quantas explosões desnecessárias...


Caso você tenha perdido a crônica da semana passada, confira a postagem para mais uma dose de reflexão e pensamento no dia: "Um presente a Noel"


Ao chegarmos na terceira estação incorporamos o vagão “Razão”. Quantas perguntas despontam, quantas interrogações sem razão. Faz razão? Não faz razão? O que é razão? Para que a razão? Quantas dúvidas!! O ritmo e velocidade ficam entorpecidos por muitas paradas bruscas. Por longos reparos e manutenções. Como buscar a razão se não conhecemos a razão? Que complexa essa parada!! Que falta existe na estrutura que não nos traz a razão?


Na quarta parada anexamos outra composição, a do “Conhecimento”. Essa composição fica lotada de informações e muitas vezes sem valores de formação e influenciadas pela sempre poderosa mente coletiva. Valores que apenas representam pesos extras desgastando prematuramente as rodas e trilhos dimensionados; outrora calculados e preparados perfeitamente pelo “EuMaior”, para um longo e valioso percurso. Se este vagão for descarregado dos dogmas e das crenças limitantes desnecessárias em cada parada, ele seria o mais confortável de todos. Pode-se estar nele confortavelmente, sem tribulações, sem tropeços e sem os altos e baixos. Mesmo com as tempestades, ventanias, tremores do chão ele não se abalaria, não sairia dos trilhos e ficaria ileso da mais forte das nevascas. Porque nele está a compreensão de qualquer razão. Então assim, se mantém numa constância de paz e harmonia, de alegria e gratidão; de união com seu próprio sublime ser. Esse elemento conhecimento é mágico e de puro poder. Ele vive de braços abertos a novos e mais e mais conhecimentos. Parece nunca se satisfazer, pois o prazer reside no aprender, é uma fonte inesgotável de pura felicidade.


E no último está o vagão “Éter”. É a composição que fecha e abre o ciclo de toda vida. Lá dentro luz, essência e poder máximo. O mais leve, porém, robusto. O conjunto de muitas e muitas idas e vindas. Abrindo e fechando as portas em cada estação. Se despindo ou vestindo e colorindo conforme o papel escolhido para aquele cenário já quase que pré-montado. O protagonista de si próprio, o que vai reinar segundo seu próprio roteiro. O viajante de todas as épocas, de todos os tempos, de todos os mundos, de todas as galáxias. O que está pleno e se faz de vazio. O que vê, o que ouve, o que sente e nos dá a razão do nosso ser. Quem é, como é? Pergunte a ele, profundamente.


E a máquina prossegue com um peso maior a cada estação. Peso que é medido pela leveza. Quanto mais leve mais consciência, mais responsabilidade, mais compreensão, mais alegria, mais gratidão. Quanto mais leve estiver mais pleno de tudo estará.


O trilho tem início meio e fim e durante os trechos as linhas se cruzam, se separam, se unem, andam também em paralelos. Os incontáveis desvios e bifurcações aparecem pelo caminho pedindo escolhas e decisões. As escolhas definirão o seu destino. Ao escolher um lado da bifurcação um leque de possibilidades imediatamente se abrirá, assim como se fechará o leque das possibilidades do outro lado não escolhido. Abre-se um, fecha-se outro.



Escolhas, faça-as com soberania.


O trajeto sempre tem subidas íngremes ou descidas abruptas, as curvas são suaves ou completamente violentas; muito semelhantes às bolhas de emoções. Passa por túneis com ausência de luz momentânea como as depressões. As pontes não são tão longas como das tristezas e nem eternas como das alegrias. Passando ao lado de vales das decepções que tem suas baixadas de angústia, raiva, medo..., mas os vales serão atravessados e o trem prossegue, corajosamente.


Em cada estação de parada surge a necessidade de carregar ou descarregar, pois ela pode seguir plena ou perder a força. Se perder a força puxa-se a alavanca do breque desacelerando um pouco. Desacelerado com calma, equilíbrio e buscando o discernimento, percorrer todos os vagões. Agora, com coragem decidir lançar fora as cargas pesadas das incertezas, dos sonhos fúteis, das tristezas, dos rancores, do egoísmo, da ganância, das vinganças, enfim se livrando de todo peso tóxico que polui e envenena o vagão... Caso se desespere peça ajuda para abrir a porta do vagão e com o auxílio de alavancas dos amigos e profissionais empurrar para fora todo esse peso excessivo. Uma vez vivenciados, entendidos e resignificados, esses pesos poderão ser descartados definitivamente, aliviando toda a carga da composição.


A locomotiva não segue sozinha pelo trilho, pois perde o sentido da sua essência. Ela foi feita para levar composições como da singularidade de viver no mundo de todas possibilidades.


Estamos agora chegando numa estação chamada virada de calendário, de número “31122021. Prestemos atenção. Ela não deve ser rigorosamente tão importante, mas necessária para retomada ou reinício; contém a chance de recomeçar. Então, pela chance que oferece façamos uma breve, se preferir pode ser uma profunda parada. Como ela faz parte de uma realidade psicológica criada pelo calendário cristão ocidental, uma grande parte da humanidade nem estará parando nessa estação, portanto é tudo questão de conceitos internos. Valerá a importância que você dá.


Será apenas uma etapa final de um meio de transporte que pegamos. Isso porque podemos livremente escolher, a qualquer momento, outros meios, como barcos, carros, ônibus, aviões, helicópteros que ficarão à nossa disposição. Porém, como todos eles estão marcados com o nome de “destino” é preciso que embarque com objetivos, votos selados para não se perderem no tempo e nem no espaço. Seja qual for o meio escolhido, sempre haverá estradas ruins, turbulências no ar e ondas gigantes nas águas. Toda hostilidade com o propósito maior de crescimento, é a devolução em forma de aprendizado e evolução.


Esta crônica também pode ser interessante para você: "Compreensão"



Olhe sempre pelas janelas, entre em ressonância com as belezas do planeta. Sinta a beleza!!

Vida plena é vida simples, descomplicada. É estar em harmonia, é simplicidade no olhar, no ouvir, no sentir.


Despir-se de todos os preconceitos é preciso, despir-se do olhar crítico é leveza.


Na verdade, somente possuímos apenas a nós mesmos, então o nosso destino é definido pelo nosso próprio livre-arbítrio e não é estabelecido por outras pessoas. Não vivamos sob a expectativa de outros e sim sob a nossa própria expectativa. Defina-se!





Destino e livre-arbítrio caminham de mãos dadas.
Portanto, se assuma, confie na Vida...

Liberte o fluxo da Vida!!

Cante, dance, celebre!!

Agradeça!!

Agradeça sempre!!


Rompendo as barreiras e já quase surgindo no horizonte o novo ponto de encontro:

Plataforma: “Renovação 22-Feliz encontro”!

Feliz Ano Novo!



 


Que tal baixar e compartilhar trechos dessa crônica com a galera!





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