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Crônica | Na crise de maldade

Impressões grotescas da ingestão de ódio



Saindo de um grande supermercado na cidade de São Paulo, me peguei incomodado e questionei qual era a razão.


Uma senhora estava já saindo desse supermercado, indo para o estacionamento. Ela andava a passos largos empurrando seu carrinho, e ao mesmo tempo, falando com alguém pelo celular. Sua filha, aparentando uns três a quatro aninhos, carregava numa mão um pacote de salgadinhos e a outra mão segurava firmemente no vestido da mãe, quase que não conseguindo acompanhar a sua pressa.


O acesso a essa loja é preenchido, em ambos os lados, com vasos de flores. Variedade grande com muitos tipos de plantas e belíssimas orquídeas embelezando o local. Porém, estreitando muito o espaço para passagem dos consumidores, que obrigatoriamente entram e saem por aquele caminho.


Num determinado trecho, a menininha esbarra a mão que segurava seu precioso pacote de salgadinhos, em um dos vasos. De repente um barulhão! Num efeito dominó caem uns cinco a seis vasos e se esparramam junto com eles, muitos salgadinhos pelo chão.


A mãe se volta vendo a cena, e percebendo que sua filha provocou, fica irritadíssima. Desorientada e nervosa começa a falar alto, olha para os lados e se dirige à filha. Percebo que nesse momento a garotinha já se põe numa postura de autoproteção, se encolhe e ergue seus bracinhos protegendo sua cabecinha. Seu olhar de medo me deixa incomodado. A mãe, que estava conversando pelo celular, interrompe por um momento; distribui broncas, aperta forte o braço da criança e volta sua conversa, contando com raiva o fato provocado pela filha.



Assustada e não entendendo direito aquela confusão, voluntariamente a pobre menininha inicia um trabalho de reparos. Imediatamente fui em seu auxílio. Agachei ao seu lado e começamos a organizar. A garotinha pega uma das flores que se quebrou e diz:


- “Desculpa florzinha, foi sem querer. Eu vou te colar. ” E olhou para mim como que esperando que eu a ajudasse na tarefa. Vendo nos seus olhos a pureza da inocência, eu disse:

- “Não se preocupe, minha querida. Olha! As outras irmãzinhas dela estão fortes e firmes no pé, veja aqui!! Então, essa eu levo pra mim e cuido dela, viu? ” Respondi.


Sua mãe ainda no telefone, agradece minha ajuda na presença de uma senhora de limpeza, que já estava ali para limpar toda sujeira. A garotinha é puxada apressadamente pela mãe, tendo seu bracinho esticado para acompanhar novamente a sua recorrente pressa. Ela olha para trás pela última vez. Dei um sorriso, abanei a mão. Talvez na mente dela, cobrasse a minha missão de resgate da flor desprendida. Ela, em resposta me deu um tchau. Seu precioso pacote de salgadinhos já nem tinha tanta importância, ficou esquecido com o que se espalhou pelo chão.


A criança praticou a maldade? E a mãe, na sua postura reativa praticou a maldade?


Diante do momento tão importante de uma transição planetária, parece que vivemos mergulhados em um só caos, onde maldades noticiadas todos os dias nos assustam e muitas vezes nos deixam chocados e perplexos.


E não só nos noticiários, perto de nós. Ali, na família, entre parentes ou na vizinhança. São casos e casos que nos surpreendem pela cegueira e ignorância espiritual.


Maldade... Como é visto por nós adultos, esse sentimento que obscurece mais a si que a outros? Fui em busca de conhecimentos para um melhor entendimento, e queria saber também em quais situações são destacadas. Sabia que não podíamos colocar num só nível, descobri então que existem cinco patamares da maldade.


- Quando na falta de conhecimento ou ausência de consciência se pratica algo sem pensar nas consequências; poderia se chamar de maldade sem culpa.


Uma criança que está numa loja onde há muitos itens interessantes para sua idade, pega um brinquedinho e sai da loja levando-o ao pai, que está sentado perto dali. O pai ao perceber o ato da criança fica bravo e a repreende, fazendo-a devolver o que pegou. É o início da formação da base, da chamada noção do que se deve ou não fazer. Acontece na escola com chacotas, entre alunos e amigos de classe, dando início a discriminações, inclusões ou exclusões de grupos. Questões simples que podem crescer no seu conteúdo quando não orientados. Quando a pessoa percebe o ato como malvadeza e sendo orientada com palavras bem dirigidas, poderá se conscientizar evitando então a repetição de fatos similares. É uma maldade reversível, corrigida com uso de palavras, entendimento de limites, exemplos e orientações adequadas.


- Num outro caso, já num processo um pouco mais delicado é quando uma pessoa pratica maldade por ego.


O ego quando mal compreendido, e na maioria das vezes o é, é uma poderosa e perigosa arma nas mãos. Para se compreender realmente o ego, geralmente, precisamos de tempo de experiências de vida. Ao mesmo tempo em que nada fazemos sem o ego; necessário é compreender que devemos deixar de lado o ego para ascendermos à uma escalada espiritual. Então, ele é meio difícil de ser compreendido. Mas o ego a que referimos aqui é aquele com interesses egoístas, interesses apenas particulares. É aquele em que apenas a pessoa é prioridade, o restante é tudo secundário, sem importância. Então, sabe aquela pessoa que não se importa com a dor que o outro pode sentir, seja com palavras ou atos? Aquela que quer conquistar um cargo maior pisando e tirando do seu caminho seja quem for? Colegas de trabalho, amigos, nada impede as suas ações sujas. Ela mente, manipula e usa tudo que estiver ao seu alcance. Se condecora com auto merecimento, muitas vezes se vitimiza para justificar seus atos e segue seu caminho inflando de orgulho e poder o seu pobre ego. Minimiza sempre a dor do outro e maximiza o seu “grande valor”.


Caso você tenha perdido a crônica da semana passada, confira a postagem para mais uma dose de reflexão e pensamento no dia: "Crônica | O Quinto Elemento"


É recuperável? Sim. Geralmente a pessoa cai em si em situações em que se exige determinadas capacidades e ela percebe que não tem e que está ali por razões contrárias. Poderá ser uma queda que a faça enxergar a realidade, percebendo também que suas atitudes apenas prejudicam e destroem os outros. Quando, por real incapacidade ver o seu castelo de areia desmoronar e perceber que as suas conquistas não foram por méritos próprios, poderá haver um despertar. Auto perdão.


- Já vimos em noticiários internacionais casos de pessoas, ou grupos étnicos que praticam maldade por fanatismo ou por convicções em crenças religiosas. Não tem como objetivo prejudicar uma pessoa próxima e sim um grupo ou classe social. Essa maldade por convicção já envolve atos de terrorismo, em casos extremos. Se justificam em procurar justiça para promover um mundo melhor, mesmo sacrificando algumas pessoas. Em outros casos envolve violência como sacrifícios de animais em prol de uma vida melhor, rituais místicos e sombrios. Nas escritas antigas são citados casos de sacrifícios humanos, de adultos e de crianças. Existe um lugar em que são colocadas argolas no pescoço das meninas para aumentá-lo, por acharem isso belo. Uma pessoa fora dessa cultura fica horrorizada, mas na cultura local isso é considerado normal; fazendo que a dor seja justificada. Uma reversão de um todo é mais difícil, mas é possível sim levar uma cultura diferente sobre valores de vida. Piedade.


- Talvez uma grande parte dos seres humanos que conhecemos se encaixa nesse patamar. Quando nos primeiros patamares a maldade aplicada não é direcionada especificamente para determinada pessoa, neste sim a intenção é direcionada. É a maldade por vingança. Aqui estão envolvidos os desejos da vingança por sentimentos de ciúmes, inveja e até mesmo de inferioridade. Sabe aquela pessoa que se usa de fingimentos e mentiras? Que quer realmente demolir cada parte do outro, tanto moralmente quanto fisicamente? Que sente como se não existisse outra pessoa mais amada e mais bela do que si própria? Usa a humilhação como arma da sua revolta. Dente por dente, olho por olho...“fui prejudicado então vou me vingar ...” sem valer que a sua própria incompetência o levou para o extremo da maldade. A reversão é mais complexa porque a pessoa que pratica isso sabe o que é amor, porém dentro de um ódio doentio. Precisa apenas ser levada novamente ao amor; mas egocêntrica, com valores distorcidos e fora do código de condutas precisará ver e reconhecer o seu próprio eu. Reconstrução.


- Por último temos o patamar da maldade por psicopatia. Determinada pelo domínio de falso poder absoluto, sentindo-se um verdadeiro deus, se compraz com o sofrimento do outro. Não é por vingança, ciúmes, inveja e nem por ambição. A sua influência se faz valer, até mesmo acima das leis humanas. Manipula a tudo e a todos, quanto mais provocar sofrimento mais pleno de prazer. O indivíduo nega seus atos de maldade praticada e danos causados. Não sente remorso e nem se arrepende dos seus atos.


No início, a maldade inocente começa pelo ato de uma criança extrair flores estragando um lindo jardim, pegar “emprestado” o brinquedo do amigo e não devolver, pegar por conta própria o dinheiro da carteira de familiares. São incontáveis situações que muitas vezes os pais não dão a devida importância. Não havendo uma educação apropriada, nunca sendo repreendida, cresce desconhecendo limites e valores de condutas. Desconhece os princípios morais e éticos, muitas vezes também não existentes no meio familiar.


À medida que cresce, passa a extrair objetos mais valiosos para poder satisfazer o seu ego, cada vez mais exigente. Geralmente já num processo ilusório de culto ao corpo e uma falsa riqueza.


Quando não cuidada essa maldade vai crescendo, avolumando também em consequências que serão cada vez maiores, perdendo-se todo o controle. Advindo-se assim, um crescimento preocupante de desajustes em todos os aspectos da vida. Toda sua vida é afetada. O sofrimento será constante.


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Em todas as escaladas da maldade é preciso ter o reconhecimento, e na medida do possível o admitir-se. Quando criança ou adolescente ainda sob o olhar dos pais. Porém, sempre necessitando de ajuda e orientações de profissionais. Haverá sempre a possibilidade de reversão, pois somos humanos, portadores de uma essência divina.


O último patamar, que é a maldade por psicopatia deverá, obrigatoriamente, ser acompanhada por profissionais da saúde mental, um longo caminho a ser percorrido.

Na convivência com essas pessoas, necessário se faz o não envolvimento na emoção, buscando na razão a realidade oculta no outro. Abrir um escudo protetor, se isolando mentalmente de suas vibrações, é de muita utilidade. Caso a proximidade seja inevitável, faz-se necessário orientação incansável pela manutenção do acompanhamento e da ajuda profissional. Quando a situação começar a escapar do controle necessário se faz o afastamento.

Mesmo com a presença de familiares queridos, amigos e profissionais indicando os melhores tratamentos e remédios, se o próprio se recusar ou não tomar, nada terá efeito.

Indo além dos remédios de rotina, acrescentemos sempre infinitas doses de compaixão, perdão, auto perdão, amor, bondade...oração.


Na explosão da ingestão de ódio, impressões grotescas da maldade pedem, imploram por misericórdia... bênçãos de misericórdia a uma alma tão doente e carente de redenção.


Presentes, novamente e sempre, o amor e a caridade. Eles, de mãos dadas, auxiliando no reforço e encorajando o fortalecimento dos nossos sentimentos. Criando assim o aumento da nossa capacidade para resistirmos à invasão de elementos que destroem nossa saúde e nossa paz. O poder do amor e da caridade.




Se assim todos fôssemos sempre acolhidos e aconchegados, haveria ainda espaço e reconhecimento de maldade? Seria tudo felicidade?!

Utopia?!! Sim ou não?!!

Sim, nesse nosso momento planetário. Não, para um futuro já bem próximo. O limiar já se sinaliza.

Acreditemos e participemos, com amor e caridade!!



 


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