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Crônica | Eu, máquina. Eu, homem.

E se uma máquina tivesse poder de sentir por si as emoções inerentes do homem


Imagem: NASA/JPL-CALTECH


As primeiras fotos enviadas de volta foram feitas durante a descida do robô. Aqui, o Perseverance está sendo baixado em três cordas de náilon e um 'cordão umbilical'. Quando as rodas do veículo espacial tocaram o solo, as amarras foram cortadas.


Fevereiro de 2020 exatamente no dia 18, eu parti para uma missão desafiadora. Embarquei num veículo ultramoderno, potente e feioso. Depois de 18 minutos, ganhei um impulso num outro veículo que me direcionou numa rota pré-estabelecida. Viajei por 470 milhões de quilômetros a uma velocidade incomparável. Foram noites escuras, estrelas errantes e silencio total. Só sentia bips, bits e luzes sinalizadores que tudo indicavam em perfeitas condições de viagem.


Cheguei num determinado ponto que eu já não conseguia receber sinais da plataforma que parti de tão longe que estava. O meu “Olá” que mandava recebia depois de uma hora “Como você está?”. Fui condicionado a não ter medo. Muito menos sentir solidão. A minha missão é transmitir conhecimentos para os que ficaram.


Eu me chamo Perseverance.


Dia 18 de fevereiro de 2021 finalmente a minha viagem atingiu o ápice. Estou em Marte. Passei por um calor infernal de 1500 Graus Celsius e precisei desacelerar 20,000 km/h para zero nos apavorantes 7 derradeiros minutos quando não sabia se meu veículo iria me proteger e se os meus paraquedas iam funcionar. Mas foi melhor que previsto. Desci suave ligado a um cordão umbilical. Levantei algumas poeiras, mas faz parte. Enfim toquei solo. Senti um solo arenoso. Fiquei em silencio por alguns minutos. Liguei os primeiros equipamentos.


Conversei com meu irmão que já circundava Marte. Foi ele que mandou a mensagem para Terra que cheguei bem. Imagino alegria dos meus criadores do sucesso. Durante 14 anos trabalharei incansavelmente enviando fotos, qualidade do solo, química dos materiais e busca incansável pela existência de água e quem sabe micro-organismos.


Levo comigo um pequeno amigo, mas um grande companheiro. Durante 7 meses carreguei o carinhosamente. Ele se chama Ingenuity. Sou pesado, mas ele é tão leve que poderá voar e me falar o que verá sobre os montes. O meu custo é alto, em torno de 2,7 bilhões de dólares e pretendo dar valor a cada centavo.


Nesse momento estou imóvel, apenas observo os horizontes, sinto vento marciano, o som é bem diferente da Terra. Sinto calor e frio ao mesmo tempo. A Luz que vem do Sol é mais fraca que parece um entardecer que nunca termina. Preciso ser determinado, disciplinado, paciente e fiel. Pois sei de onde eu vim. Sei quem sou. Porque estou aqui e sei também para onde vou.

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