Crítica | Backrooms
- Redação neonews

- 8 de jun.
- 3 min de leitura
Backrooms impressiona visualmente, porém encontra dificuldades para transformar seu conceito viral em uma experiência realmente memorável

(Foto: Divulgação)
Existe algo extremamente interessante na proposta de Backrooms: Um Não-Lugar. A ideia de transformar aqueles corredores infinitos e desconfortáveis da internet em um longa de terror parecia perfeita no papel, principalmente nas mãos de Kane Parsons, criador original do fenômeno viral. E, por alguns momentos, o filme realmente consegue capturar aquela sensação inquietante de estar preso em um espaço vazio, estranho e silencioso demais. O problema é que nem sempre essa sensação sustenta uma experiência completa por quase duas horas.
A trama acompanha Clark, interpretado por Chiwetel Ejiofor, um homem frustrado com sua vida pessoal e profissional que acaba descobrindo uma passagem para outra dimensão escondida no porão de sua loja. A partir disso, o filme mergulha em um terror psicológico que tenta equilibrar mistério, tensão e reflexões sobre vazio existencial. Em alguns momentos funciona muito bem. Em outros, parece que a narrativa simplesmente anda em círculos junto dos próprios personagens.

(Foto: Divulgação)
Visualmente, o longa é facilmente seu maior acerto. Parsons sabe construir imagens desconfortáveis e cria cenários que realmente parecem saídos de um pesadelo digital. A fotografia usa iluminação artificial, sombras e enquadramentos claustrofóbicos para criar uma atmosfera sufocante. Mesmo quando quase nada acontece, existe uma sensação constante de ansiedade no ar.
Outro mérito está na forma como o diretor mistura estilos de filmagem. O longa alterna momentos mais cinematográficos com cenas em found footage que remetem diretamente aos vídeos originais do YouTube. Essa mudança ajuda a manter a experiência visual interessante e reforça o clima de instabilidade. O problema é que, depois de um tempo, o filme parece confiar demais na atmosfera e de menos na evolução da própria história.
As atuações cumprem bem seus papéis. Ejiofor consegue transmitir o desgaste emocional do protagonista sem exageros, enquanto Renate Reinsve traz certa humanidade para os momentos mais introspectivos da trama. Ainda assim, os personagens acabam sendo menos desenvolvidos do que poderiam, principalmente porque o roteiro parece muito mais interessado no conceito das Backrooms do que nas pessoas dentro delas.

(Foto: Divulgação)
E talvez esse seja justamente o maior problema do filme. Backrooms funciona melhor como sensação do que como narrativa. Existe uma estética extremamente forte ali, mas nem sempre acompanhada de uma progressão realmente envolvente. Em alguns trechos, o mistério deixa de ser intrigante e passa a soar repetitivo, como se o longa tivesse dificuldade em descobrir até onde pode expandir sua própria ideia sem perder impacto.
No fim, Backrooms: Um Não-Lugar merece reconhecimento pela criatividade e pela coragem de apostar em um terror menos convencional. Kane Parsons mostra talento visual e entende perfeitamente o desconforto que tornou esse universo tão popular na internet. Mas faltou transformar toda essa atmosfera em uma história mais marcante emocionalmente.
Opinião da Redação: "Confesso que gostei muito mais da experiência visual e da proposta do que da narrativa em si. Backrooms tem momentos realmente inquietantes e imagens que ficam na cabeça, mas também parece um filme que poderia ter ido muito mais longe emocionalmente. Ainda assim, é interessante ver um terror tentando fugir do óbvio."
Você prefere filmes de terror que explicam seus mistérios ou acha que o medo funciona melhor quando nem tudo faz sentido?
Ficha Técnica
Nome: Backrooms: Um Não-Lugar
Tipo: Filme
Onde assistir: Cinemas
Categoria: Terror / Suspense
Duração: 1h 45 min
Nota 3/5




